Deso intensifica combate ao furto de água tratada

29/02/2016 às

A Companhia de Saneamento de Sergipe – Deso vem realizando um intenso trabalho de combate as ligações clandestinas, principalmente na Grande Aracaju. Na semana passada, a Deso flagrou uma moradora do bairro Veneza tentando fazer uma ligação clandestina. Com o apoio da Polícia Militar, o furto de água foi evitado. No entanto, a prática gerou um enorme vazamento, deixando metade dos moradores do bairro sem água.

Já no conjunto Taiçoca, em Nossa Senhora do Socorro, os moradores notificaram à companhia na quinta-feira (18) sobre o desabastecimento da região. Durante a vistoria realizada pelos técnicos da Deso percebeu-se que 70% dos moradores estavam com ligações irregulares no local.

 De acordo com o gerente de Distribuição Metropolitana da Deso, João Bosco dos Santos, na Grande Aracaju, o furto de água está em um nível epidêmico. Nos bairros periféricos, há ruas inteiras sem hidrômetros, onde a população usa a água clandestinamente promovendo vazamentos e grandes desperdícios. “As pessoas perderam o respeito. Nós fechamos uma ligação clandestina e eles dizem, na nossa frente, que irão religar, além de fazer ameaças. Em muitas situações precisamos recorrer ao apoio da Polícia Militar para conseguir realizar o trabalho”, diz Bosco.

Ocorrências parecidas com esta se reptem em todo o estado, muitas vezes, gerando ônus ainda maiores. “É um problema sem precedentes que estamos fazendo muito esforço para combater. Por causa disso temos tido grandes prejuízos no faturamento, consequentemente, tendo menos recursos para retornar para população com a excelência que gostaríamos, além de ter problemas operacionais de falta de água”, explica Carlos Anderson Pedreira, superintendente de Sistemas Regionais de Água da Deso.

 Interior

 Em Poço Redondo, a Deso foi surpreendida com o crescimento de reclamações de falta de água no município, na região entre Serra dos Bois e Santa Rosa do Ermírio. Segundo o superintendente Carlos Anderson Pedreira, a situação causou estranheza, porque não havia nenhuma anormalidade no sistema de produção e distribuição de água. “Nossa equipe correu a rede para ver se tinha algum vazamento, mas acabamos descobrindo inúmeros desvios na tubulação”, diz ele.

 A quantidade de irregularidades encontradas na região foi tamanha, que a companhia precisou remanejar suas equipes de outras regionais para otimizar o tempo da fiscalização. Ao final da busca, foram descobertas 263 ligações irregulares e clandestinas e apenas 133 consumidores regulares, nos 20 km de extensão que corresponde ao trecho entre estas localidades. “62% da população estava furtando a água, impedindo que ela chegasse para as demais casas. E estes cidadãos ainda estavam consumindo 3 vezes mais água do que aqueles com a ligação correta, pois desperdiçavam despreocupadamente”, explica Pedreira.

 Além de lesar os cidadãos vizinhos os fraudadores ainda oneravam o faturamento da Deso. “Tínhamos uma perda de quase 40% na nossa receita, sem mencionar os gastos extras com equipes para reparar os vazamentos causados pelas ligações ilícitas”, revela o superintendente.