"Início de Edvaldo é uma frustração anunciada", diz Valadares Filho

07/03/2017 às
Resumo: O deputado Valadares Filho (PSB) participou, na manhã desta segunda-feira (6), do programa de George Magalhães, na FAN FM

 

O deputado Valadares Filho (PSB) participou, na manhã desta segunda-feira (6), do programa de George Magalhães, na FAN FM. Falou da privatização da Deso, Reforma da Previdência, eleições de 2018, do início da gestão de Edvaldo Nogueira, da bancada federal, das adesões ao governo Jackson Barreto, de Uber e muitos outros assuntos que resumimos nos tópicos a seguir.

 

Pronunciamento e defesa dos funcionários da Deso

 

Ao abrir a entrevista, o radialista George Magalhães pediu ao deputado que falasse sobre o pronunciamento que ele fez na Câmara dos Deputados em defesa dos funcionários da Deso. Ele relatou que há cerca de 15 dias, na sede do PSB, acompanhado do senador Valadares, ele se reuniu com funcionários da Deso e a direção do Sindicato dos Trabalhadores em Água e Esgoto do Estado de Sergipe (Sindisan).  Com os dados e os relatos recolhidos nessa conversa, ficou evidente para o deputado que é um grande equívoco do Governo do Estado priorizar a privatização da companhia e então fez um pronunciamento em defesa tanto dos funcionários quanto da empresa.

 

Ele disse acreditar que, nesse momento, seria muito mais útil para a Deso fazer uma reestruturação administrativa, conversando democraticamente com os funcionários e ouvindo o corpo técnico, do que privatizar a empresa, o que trará imensos danos à sociedade sergipana: “Nós vivemos num estado que tem muita pobreza e a Deso tem um trabalho muito importante com a aplicação da Tarifa Social para a população mais carente do estado. Com a privatização será que este tratamento continuará? Conversando com nossos assessores, verificamos que, em vários países onde ocorreram processos de privatização de empresas de água e saneamento básico, eles foram revertidos depois. Sou contra a privatização, e com muita ênfase, porque nós sabemos que o seu principal objetivo é político e querem repetir o que aconteceu em 1998, logo após a venda da Energipe”.

 

Eleições 2018

 

Citando o colunista político Diógenes Brayner, que fez menção a uma possível candidatura de Ricardo Franco, dizendo que o faria somente se Valadares Filho fosse o seu vice, George Magalhães indagou se a oposição terá candidatura em 2018. Valadares Filho respondeu que nesse momento em que o estado vive problemas significativos e o país vai passar por reformas importantes, como a da Previdência e a Trabalhista, não é saudável falar em composição de chapa para 2018.

 

“Mas posso afirmar o seguinte: a oposição estará muito unida no momento adequado em que essa discussão se iniciar e contamos com a presença do competente empresário Ricardo Franco, um jovem visionário, que condições plenas de contribuir com o futuro do nosso estado. Nesse momento, eu estou muito focado na responsabilidade que tenho como deputado federal. E, nesse sentido, as oposições tem se reunido constantemente para discutir o que podemos fazer por Sergipe, seja no Congresso Nacional, na Assembleia Legislativa ou nas câmaras de vereadores. Vamos aproveitar que hoje temos a oportunidade do benefício de uma estreita relação com o Governo Federal para poder ajudar os nossos municípios.”

 

Ele concluiu afirmando que, além disso, a oposição está fazendo o trabalho de fiscalização das ações do Governo do Estado e da Prefeitura de Aracaju. “Isso, correndo paralelo ao nosso trabalho de estar atento às reformas em Brasília, para que nós possamos estar sempre sintonizados com os anseios da sociedade.”

 

Sobre pesquisas

 

George Magalhães, citando pesquisas recentes que tem colocado o senador Valadares em 1º lugar numa possível candidatura para o Governo do Estado, perguntou como se posicionava o PSB com esses números. Ele respondeu que a oposição está muito bem e que a posição de liderança do senador Valadares é fruto do respeito histórico que ele tem e também dos seus serviços prestados, ao longo de sua vida política, ao povo de Sergipe. “No meu caso entendo que é natural a minha boa colocação nas pesquisas seja porque venho da disputa de uma eleição em dois turnos para prefeito de Aracaju, quando a cidade ficou dividida. Isso demonstra também que os Valadares tem um respeito muito grande não só na capital, mas em todo o estado.”

 

Ele também ressaltou que o senador Amorim, da mesma forma, tem aparecido muito bem nas pesquisas, tanto para o governo quanto para o senado. Também afirmou que o senador tem se colocado à disposição do grupo como candidato ao governo e que o senador Valadares tem afirmado publicamente que é candidato à reeleição. “Mas tudo isso será resolvido, como eu disse, no momento adequado. O certo é que estaremos unidos no objetivo de tirar Sergipe desse caos administrativo que vive hoje.” E concluiu dizendo que “esses números são reflexo do trabalho que todos estamos fazendo em favor de Sergipe”.

 

Sobre a bancada federal

 

Ao ser perguntado se a oposição está ajudando ou atrapalhando o estado, Valadares respondeu que está ajudando, como sempre. “O que houve recentemente foram alguns acontecimentos que nunca existiram na história de Sergipe: um governador que tenta agir dentro da bancada federal para dividi-la, com um mero objetivo político e por vaidade. Idem com o episódio da vinda do ministro da Integração e com o episódio envolvendo a coordenação da bancada.” Ele afirmou que o senador Valadares, atual coordenador, sempre se colocou à disposição para que a bancada pudesse escolher outro nome.

 

“Eu estou na Câmara há 10 anos, nunca havia visto algo assim e parlamentares mais antigos também me disseram o mesmo: no momento de discutir assuntos de interesse de seus estados se esquece das questões partidárias e faz-se o diálogo para ajudar a nossa população. E o que houve aqui foi a criação de um clima totalmente desnecessário com a ingerência direta do governador do Estado. Mas nós esperamos que com a consciência que os parlamentares da nossa bancada têm, e sou testemunha disso, a gente vai quebrar esse clima e continuar trabalhando juntos por Sergipe. As emendas continuarão a vir para o nosso estado, inclusive as duas impositivas: a da Codevasf e a de Aracaju. Tudo continuará com a maior normalidade.”

 

Segundo Valadares, o presidente Temer tem tido conhecimento destas questões da bancada, não só pelo deputado André Moura, que agora é líder do governo no Congresso, como também pelos senadores Amorim e Valadares que também têm conversado com o presidente. “Em uma dessas reuniões eu tive a oportunidade de participar e ele sabe quais foram os aliados de primeira hora de seu governo.”

 

A respeito das adesões

 

“Muita gente que está tomando essa posição pró-governo deverá mudar de atitude a partir de março / abril do próximo ano, quando verificarem a pouca aprovação do governo pela população. Essas pessoas pularão do barco e estarão com a oposição sergipana para que a gente possa vencer a eleição e consertar o Estado.”

 

Avaliação da gestão de João Alves Filho

 

Perguntado por Magna Santana sobre as críticas de que ele não atuou com firmeza na oposição à gestão de João Alves, ele disse reconhecer que foi muito paciente com o governo dele. “Quis dar um tempo para que ele pudesse realizar as promessas feitas durante a campanha eleitoral. No início achei que iria conseguir.” Mas ao final, concluiu o deputado, “mostramos a forma caótica com ele conduziu o seu governo nos quatro anos de mandato”.

 

Avaliação da administração de Edvaldo Nogueira

 

Ainda respondendo à radialista Magna Santana ele analisou os primeiros dois meses da gestão do atual prefeito. Ele começou salientando que tem responsabilidades como deputado federal, trabalho que faz com muita dedicação. “Mas, no dia do resultado das eleições afirmei que faria uma oposição contundente, muito firme. Não pela radicalização que foi a eleição, mas principalmente porque a cidade ficou dividida.” Por conta disso, ele afirmou que tem a responsabilidade de ser um fiscal desta gestão.

 

“Muita coisa foi prometida, muita expectativa foi criada e nós temos que cobrar o cumprimento dessas promessas.” Segundo Valadares, o início desta gestão “é uma frustação anunciada, como eu já dizia durante a campanha”. E elencou alguns dos problemas: salários parcelados, problemas graves na coleta do lixo, a greve dos médicos... Ele ainda ressaltou que o prefeito não resolveu o problema do lixo e ainda lançou um edital com prazo de apenas 48 horas para um contrato emergencial que a Justiça atuante de Sergipe suspendeu imediatamente.

 

Continuando a sua resposta, ele fez duras críticas ao prefeito, que não cumpriu pelo menos quatro promessas de campanha: a revogação imediata do aumento abusivo do IPTU; o pagamento dos salários no início de janeiro; a licitação da coleta do lixo; e a despartidarização da gestão pública. Ao invés de procurar solução para os graves problemas, ele afirmou: “O prefeito viaja para o México, que ele coloca como referência em tecnologia de semáforo inteligente, e para Nova Iorque, que ele diz ser referência em mobilidade urbana. Pode-se alegar que é uma viagem de trabalho, mas parecem férias. Mas independente do que seja, é um contrassenso o prefeito se ausentar da cidade com tantos problemas”.  E continuou: “A greve dos médicos é um problema gravíssimo, que mexe com os pobres. Na questão do lixo, o contrato com a Cavo acabou domingo, quem vai fazer a coleta a partir de hoje e como vai se pagar por esse serviço?”.

 

Formação da equipe

 

A administração foi loteada, segundo Valadares Filho. “Eu defendi uma nova forma de gerir a cidade: colocarmos técnicos da iniciativa privada, das universidades e do próprio serviço público no comando das secretarias estratégicas. No meio da campanha o nosso adversário começou a copiar o nosso discurso, mas, quando assumiu, fez completamente ao contrário. A própria composição da maioria na Câmara dos Vereadores e a eleição da mesa diretora seguiram os velhos métodos da política tradicional.”

 

Reforma Previdenciária

 

Valadares afirmou que é um aliado historicamente leal, mas que tem uma responsabilidade ainda maior com a sociedade. “Já me posicionei, inclusive da tribuna, em relação à Reforma da Previdência, apontado os pontos desfavoráveis. Já coloquei também esse posicionamento para a bancada do meu partido, o PSB: a minha imensa dificuldade em votar alguns pontos dessa reforma. Sou aliado do presidente Temer, mas estarei firme na defesa dos nossos aposentados e trabalhadores. Podem ter certeza disso. Impossível votar a favor da aposentaria integral com 49 anos de trabalho e sacrificar os trabalhadores rurais, por exemplo.” E acrescentou que se faz necessário uma reforma, sim, mas sem sacrificar os trabalhadores brasileiros e que todo o processo de discussão deve ter a participação efetiva da sociedade.

 

Uber

 

Sobre o Uber, o deputado afirmou que durante a campanha, em reunião com os taxistas, garantiu que a prioridade de relação seria sempre com os taxistas; que iria buscar a melhora nas condições de trabalho e manter uma maior afinidade com a categoria. Mas afirmou, também, que é preciso ter a consciência de que o Uber é uma realidade no país: “Nós temos que ter alguma forma de regulamentar esse serviço de uma maneira que não prejudique os taxistas”.

 

Visita de Edvaldo ao seu gabinete em Brasília

 

Segundo o deputado, foi uma conversa muito cordial e focada principalmente na questão das emendas. O prefeito pediu recursos para a área de saúde: “Antes mesmo da visita, eu já tinha essa pretensão e assim o fiz. Coloquei R$ 1 milhão para o custeio da saúde pública de Aracaju, para ajudar no custeio das Unidades Básicas de Saúde”.

 

Do que a cidade precisa

 

“A cidade precisa de um choque de gestão com atuação direta do prefeito, com seus secretários. A gente não vê isso. É uma administração muito solta, relaxada. Falta criatividade. Aracaju precisa de um gestor presente, com apetite para governar. Precisa de um líder que encare os problemas, como tem feito João Doria, prefeito de São Paulo, e ACM Neto, prefeito de Salvador”.