Ipea: Socorro é a 3ª cidade mais violenta do Brasil

06/06/2017 às

Sergipe voltou a ganhar destaque negativo em pesquisas nacionais sobre violência e segurança pública. Ontem, foi divulgado o estudo ‘Atlas da Violência 2017’, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) em parceria com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Ele apontou que o Estado teve, entre 2005 e 2015, um crescimento de 134,7% no índice de homicídios por 100mil habitantes, colocando-o como líder no ranking dos estados com a maior taxa de crimes violentos letais intencionais (CVLIs). E que uma das principais cidades sergipanas, Nossa Senhora do Socorro (Grande Aracaju), é a terceira mais violenta do Brasil entre as que têm mais de 100 mil habitantes.

 

De acordo com a pesquisa, Socorro registrou, no ano de2015, 159 homicídios e 12 mortes violentas com causa indeterminada (MVCI), resultando no índice de 96,4 crimes por 100 mil habitantes. Na lista, a cidade perde apenas para Lauro de Freitas (BA) e Altamira (PA), líder do ranking com a média de 107,0 homicídios. O município de São José do Ribamar (MA) também registrou o índice de 96,4 crimes, mas ficou atrás de Socorro porque teve três MVCIs a menos no ano retrasado. Por outro lado, Sergipe não emplacou nenhum município na lista dos 30 mais pacíficos, liderada por Jaraguá do Sul (SC), que teve apenas cinco homicídios e uma MVCI no mesmo período, com índice de 3,7 homicídios.

 

O levantamento do Ipea é baseado no Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e na edição 2015 do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, feito pelo FBSP. Eles apontaram que a taxa de homicídios em Sergipe saltou de 24,7 em 2005 para 32,7 em 2010, até chegar a 58,1 em 2015. Em 10 anos, o crescimento nas ocorrências foi de 134,7%, ficando abaixo apenas dos 232,0% marcados pelo Rio Grande do Norte. Se forem computados os últimos cinco anos, entre 2010 e 2015, a variação da violência em Sergipe chega a 77,7%. E quanto aos números absolutos de homicídios (487 em 2005, 676 em 2010 e 1.303 em 2015), o aumento total em 10 anos foi de 167,6%.

 

O ‘Atlas da Violência’ destaca ainda que Sergipe teve um dos maiores crescimentos em assassinatos de jovens e de negros, no mesmo período de 10 anos. Em 2015, o Estado teve 716 mortes de pessoas entre 15 e 29 anos, marcando uma taxa de 118,2 crimes por 100 mil jovens e um aumento de 187,6% em relação aos 249 casos registrados em 2005. Se forem contados apenas os homens da mesma faixa etária, a taxa pula para 230,4 mortes por 100 mil, com crescimento de 183,3% em relação a 2005 e 109,0% em relação a 2010. Entre as vítimas negras, a taxa de homicídios obtida em 2015 foi de 73,3, contra 13,2 de vítimas não negras.

 

Para as causas do crescimento dos homicídios, o Ipea apontou quatro causas principais: o aumento da oferta de empregos para uma pequena parcela da sociedade; o aumento da circulação de dinheiro em pequenas cidades do Norte e do Nordeste; a migração e ocupação desordenada dos espaços urbanos; e a falta de políticas públicas preventivas de segurança pública,educação, assistência social, cultura e saúde.

 

Um quinto fator foi apontado: o aumento da circulação de armas de fogo, principalmente ilegais. “É interessante notar que em Sergipe (o estado com mais violência letal dopaís e que apresentou maior crescimento da taxa de homicídio entre 2010e 2015), 85,1% dos homicídios foram cometidos com o uso da arma defogo”, diz o relatório do Atlas.

 

A Secretaria da Segurança Pública divulgou, na semana passada, um relatório da Coordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Ceacrim), o qual apontou que houve queda de 11% no número de homicídios no estado, quando comparado ao mesmo período de 2016. Se comparado a 2015, a redução chega a 14,7%.  Só na capital sergipana, a redução chegou a 20,4% em 2017 comparado ao período de janeiro a maio de 2016. O resultado foi atribuído a um replanejamento das ações das polícias Civil e Militar, bem como ao envio de 150 policiais da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP), que atuam desde fevereiro em bairros da periferia de Aracaju.