OPINIÃO

01/02/2017 às
Em nome da Verdade: Capela no dia 02 de janeiro
Silvany Sukita*
 
“Quem estava em Capela no dia 02 de janeiro não pôde deixar de ver o lixo nas ruas e o mato tomando conta de tudo. Era a imagem de uma cidade por tantos anos negligenciada, abandonada e maltratada. Por triste que fosse aquela imagem, ela nem de longe revelava o estado ruinoso a que a administração passada levara o município.
 
As escolas haviam sido abandonadas. Encontramos todas em estado lamentável; um cenário triste e desolador. Estavam cobertas de mato, vidros quebrados, fiação elétrica em frangalhos, pintura velha e descascada, telhas rachadas, portas emperradas, fechaduras travadas, computadores escangalhados. Enfim, não eram escolas, mas escombros.
 
Encontramos no município uma frota sucateada, sem condições de uso. As máquinas necessárias à manutenção de ruas e estradas não estavam em melhor situação. Cada uma delas tinha vários problemas, como falta de pneus, falta de lâmina, lubrificação vencida, caixa de câmbio quebrada. Enfim, não funcionavam. Muitas ainda não puderam ser consertadas, seja pelo alto custo, seja pela falta de peças, seja pelas dificuldades inerentes ao trabalho.
 
Quanto às ruas e estradas, os problemas saltam aos olhos de todos. Nos povoados encontramos os mesmos problemas, só que agravados pela falta de água potável. A iluminação pública é uma lástima. Faltam postes, luminárias e lâmpadas.
 
Na saúde, a lista de problemas não tem fim.
 
Na Procuradoria Geral, encontramos um descontrole generalizado sobre processos administrativos e processos judiciais. Isso significou prejuízos enormes.
 
O Controle Interno não tinha presença sensível. Não há rastro do seu trabalho. Não encontramos normas, regras, fluxos, comandos, análises. Os servidores não dão notícia da ação do Controle Interno. Se algo foi feito nos últimos anos, perdeu-se no vento.
 
Parte dos problemas que enfrentamos vem da falta de planejamento. Não encontramos na prefeitura um único documento que possamos associar às ações de planejar, orçar e gerir. Isso não é uma alegação exagerada; é uma verdade singela, pura e simples. As próprias leis orçamentárias dos últimos anos – inclusive a que nos rege atualmente – não têm qualquer significado prático ou mesmo formal.
 
Diante de tudo, o povo entendeu e nos deu a oportunidade de reconstruir o município de Capela com a missão de cuidar das pessoas e de recuperarmos a auto estima desta gente. O caminho é árduo, mas com a união de todos e o apoio da população, Capela vai voltar a sorrir. Saibam vocês, estamos apenas no começo”.
 
*Prefeita de Capela