Pesquisa do IBGE mostra que saúde mental de meninas apresenta dados preocupantes em Sergipe

Os dados de 2024 da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) revelam um cenário preocupante para a saúde mental dos adolescentes em Sergipe, especialmente entre as meninas. Em praticamente todos os indicadores relacionados ao bem-estar emocional, elas apresentam percentuais significativamente superiores aos observados entre os meninos, indicando maior vulnerabilidade a sentimentos como tristeza, irritação, solidão e desesperança – cenário que segue a tendência nacional. Os dados, divulgados nesta quarta-feira (25) pelo IBGE, têm como base escolares do 7º ao 3º ano de escolas públicas e privadas.
Segundo a PeNSE 2024, o percentual de estudantes que disseram ter sentido vontade de se machucar de propósito nos 12 meses anteriores à pesquisa foi, em Sergipe, de 33,2%, superior à média nacional (32%). Entre as meninas, quase metade (46,5%) relatou esse sentimento, enquanto entre os meninos o percentual foi de 19,1%.
O sentimento mais grave investigado pelo levantamento — o de que a vida não vale a pena ser vivida — apresentou em Sergipe um percentual de 20,6%, o segundo maior do Nordeste, acima das médias regional (19,2%) e nacional (18,5%). Entre as meninas sergipanas, o índice chegou a 29%, contra 11,7% entre os meninos. Nas escolas públicas, 21,6% relataram esse sentimento, frente a 16,3% nas privadas.
Ainda de acordo com a pesquisa, 49,2% dos escolares sergipanos afirmaram ter se sentido muito preocupados com coisas comuns do dia a dia na maioria das vezes ou sempre, nos 30 dias anteriores à pesquisa, percentual próximo à média nacional (49,7%). Porém, ao observar o recorte por sexo, a diferença é expressiva: 60,6% das meninas relataram esse sentimento, contra 37,2% dos meninos. O índice também foi maior entre alunos de escolas privadas (60,7%) do que públicas (46,5%). Em Aracaju, a preocupação excessiva atingiu 53,3% dos estudantes.
O sentimento de tristeza frequente também aparece com maior intensidade entre as meninas. Em Sergipe, 30,4% dos escolares disseram ter se sentido tristes na maior parte do tempo ou sempre nos 30 dias anteriores à pesquisa, percentual acima da média brasileira (28,9%). Entre os meninos, o índice foi de 17,8%, enquanto entre as meninas chegou a 42,3%, mais que o dobro.
Outro dado diz respeito aos estudantes que afirmaram sentir que ninguém se preocupava com eles. Em Sergipe, o percentual foi de 27%, ligeiramente acima da média nacional (26,1%). Novamente, a diferença entre os sexos chama atenção: 34,5% das meninas relataram esse sentimento, ante 19,1% dos meninos. Nas escolas públicas, o índice foi de 27,8%, contra 23,6% nas instituições privadas.
Um dos indicadores analisados pela pesquisa é o percentual de estudantes de 13 a 17 anos que não têm amigos próximos. Em Sergipe, o índice foi de 5,2%, acima da média do Brasil (4,5%) e do Nordeste (4,8%). Diferentemente de outros recortes da pesquisa, nesse caso o percentual foi maior entre os meninos (6,1%) do que entre as meninas (4,3%). Nas escolas públicas, o valor chegou a 5,6%, enquanto nas privadas foi de 3,2%. Em Aracaju, o índice caiu para 3,9%, o quinto menor entre todas as capitais do país.
Irritação e autoavaliação negativa
A pesquisa também investigou o percentual de escolares que se sentiram irritados, nervosos ou mal-humorados com frequência. Em Sergipe, o índice foi de 42,7%, praticamente igual à média do país (42,9%). Entre as meninas, o percentual alcançou 55,9%, enquanto entre os meninos ficou em 28,6%. Em Aracaju, o indicador subiu para 46%, acima da média estadual.
Refletindo esse conjunto de fatores, Sergipe registrou 16,2% de autoavaliação negativa da saúde mental, o maior percentual do Nordeste e o terceiro maior do país, acima da média nacional e regional (14,9%). Entre as meninas, 25,2% avaliaram negativamente a própria saúde mental, mais de três vezes o percentual observado entre os meninos (6,7%).
Relação com o corpo e imagem corporal
A PeNSE 2024 também investigou a relação dos adolescentes com o próprio corpo. Em Sergipe, 59,8% dos escolares se declararam muito satisfeitos ou satisfeitos com o próprio corpo, percentual significativamente maior entre os meninos (69,5%) do que entre as meninas (50,7%). Já a insatisfação atingiu 32,7% das meninas, contra 16,1% dos meninos.
Quanto à autopercepção da imagem corporal, 38,3% dos estudantes se consideraram muito magros ou magros, 45,6% disseram não ser nem magros nem gordos e 15,1% se perceberam como gordos ou muito gordos. Em relação à atitude diante do próprio peso, 40,3% afirmaram não adotar nenhuma ação, enquanto 23,2% disseram querer perder peso, 25,1% ganhar peso e 10,4% manter o peso atual.
Fonte: IBGE Sergipe













