Dívidas 'enforcam' aracajuanos
Sete em cada 10 famílias aracajuanas têm dívidas no comércio, a maioria contraídas junto a cartões de crédito que mantêm juros por atraso no pagamento de mais de 450% ao ano. Ontem, a Federação do Comércio de Sergipe (Fecomércio) divulgou Pesquisa de Endividamento, Intenção de Consumo e Confiança do Consumidor de Aracaju (Peic). Os dados são de setembro deste ano e mostram, também, que o aracajuano está comprando 73,30% a menos do que comprava há seis meses.
O levantamento feito pelo Instituto Fecomércio de Pesquisa e Desenvolvimento de Sergipe mostra que dos 77,6% das famílias endividadas na capital sergipana, 30,9% estão com muitas dívidas. A Peic mostrou, também, que apenas 21,6% não tem a renda familiar comprometida com dívidas.
Outro dado agravante levantado na pesquisa é com o percentual do orçamento doméstico comprometido. De acordo com a pesquisa, em setembro deste ano, 36,1% da renda familiar era para pagar dívidas, um índice acima do recomendável pelos especialistas em finanças (30%).
Do total de famílias aracajuanas com dívidas, 11% não conseguiram pagar essas contas em dia e entraram no rol dos inadimplentes. São pessoas com atraso nas contas de, em média, 62 dias.
Entre as famílias com renda familiar de até dois salários mínimos, o tempo médio de atraso é de 68,1 dias. Já entre aqueles núcleos familiares que ganham até 10 salários mínimos, o atraso é de 61,8 dias. Já entre as famílias que ganham acima de R$ 8,8 mil, as dívidas são pagas, em média, com 56,7 dias após o vencimento.
A pesquisa perguntou se o e entrevistado teria condições de pagar as contas atrasadas neste mês de outubro. As respostas foram: 62,60% achavam que não iriam pagar; 13,40% previam que daria para pagar parte dessa dívida; e 11,10% acreditavam que iriam pagá-las totalmente.
Juros
A Peic levantou os principais tipos de dívidas e revelou que 60,3% deviam aos cartões de crédito. De acordo com a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, a taxa média de juros teve em setembro de 2016 o maior valor dos últimos 21 anos. No cartão de crédito, os juros ficaram em 463% ao ano, 15,5% ao mês.
Quanto ao cheque especial, que também cobra juros estratosféricos, o percentual de famílias com dívidas nesse quesito bateu apenas 1,6%. Os juros do cheque especial oscilam entre 3% ao mês e 321% ao ano.
Confiança
Exatos 79,30% do consumidor aracajuano considera que a economia sergipana está pior do que há meses e apenas 3,90% acham que está melhor. Outros 14,90% avaliaram que nada mudou nesse período. O nível de desconfiança quanto à situação econômica do estado é bem maior na faixa que ganha menos de dois salários mínimos (84,80%).
A pesquisa avaliou, também, como o aracajuano avalia a situação econômica do Brasil. Em média, 82,50% consideram que está pior que há seis meses. Já 5,60% avaliam como melhor.
Considerando a situação de Sergipe daqui a seis meses, 25,30% dos aracajuanos acham que estará melhor, 37,60% vai estar pior e 29,90% acham que estará do mesmo jeito. A desconfiança é maior entre os que ganham acima de 10 salários mínimos (44,40%). Já o otimismo mostrou-se mais presente naquelas famílias com renda entre dois e 10 salários mínimos (25,60%).
Já a confiança no país para os próximos seis meses, o otimismo é maior também entre os que têm renda até dois salários mínimos (23,20%). O pessimismo com relação à economia brasileira para o mesmo período é de 46% entre os que ganham até dois salários mínimos, 41,40% naquela faixa entre dois e 10 salários mínimos e 20% para os que recebem acima de 10 salários mínimos.
Consumo
A Peic avaliou, também, a intenção de consumo das famílias aracajuanas e perguntou se está comprando mais, menos ou igual ao que comprava no primeiro semestre deste ano. A grande maioria respondeu que está comprando menos (73,30%). A classe que está comprando menos é a mais baixa, com renda de até dois salários mínimos (77,5%).











