Pesquisa aponta perfil socioeconômico de mulheres vítimas de violência em Sergipe

25/02/2026 às 13:34:40
Violência contra a mulher — Foto: Paulo H. Carvalho/Agência Brasília

Uma pesquisa de pós-doutorado do Departamento de Estatística da Universidade Federal de Sergipe (UFS) revelou o perfil socioeconômico das mulheres vítimas de violência no estado. O estudo cruzou dados do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE), do programa CMais Mulher e do Cadastro Único (CadÚnico) do governo federal. 

De acordo com o pesquisador, os dados, apresentados mostram que, entre 2022 e 2025, foram registrados 17 mil processos de medidas protetivas em Sergipe. Desse total, 75% das vítimas estão inscritas no Cadastro Único, ferramenta que identifica famílias de baixa renda no país.

"A violência contra a mulher é um fenômeno complexo, mas está relacionado diretamente com a desigualdade social e a pobreza. Atinge todas as classes sociais, mas entre as pessoas mais pobres, ela é mais severa", afirma o pesquisador, professor Kleber Oliveira.

Perfil das vítimas

A análise aponta que a violência atinge de forma mais severa mulheres em situação de vulnerabilidade social. Entre os principais indicadores das mulheres atendidas, destacam-se:

  • Raça: 80% são pardas.
  • Escolaridade: mais de 75% possuem apenas o ensino fundamental (completo ou incompleto).
  • Renda e ocupação: entre 50% e 60% das vítimas não possuem renda e estão desocupadas.
  • Faixa etária: a maior incidência de casos ocorre entre mulheres de 30 a 39 anos.
  • Maternidade: 23,1% têm três ou mais filhos; 32,1% têm dois filhos e 34,9% possuem um filho.

Tipos de violência

  • Psicológica (35,40%): é o tipo mais mencionado, envolvendo ameaças, humilhações e controle emocional
  • Física (30,40%): relacionada a agressões diretas ao corpo da vítima
  • Moral (28,87%): inclui calúnia, difamação ou injúria
  • Patrimonial (3,43%): retenção, subtração ou destruição de bens e recursos econômicos
  • Sexual (1,90%): menos notificada, mas presente em diversas faixas etárias

De acordo com o professor Kleber Oliveira, a fragmentação de dados entre delegacias, tribunais e secretarias dificulta o combate ao problema. A integração com o CadÚnico permite visualizar detalhes como o tipo de moradia e acesso a serviços básicos das vítimas.

"Isso facilita a política pública porque os órgãos do governo estadual ou federal podem desenhar com mais precisão o tipo de política para atender especificamente cada mulher", disse.

 

Fonte: G1SE