Repórter é preso e algemado pela PM durante o trabalho
Na noite da última segunda-feira, 6, o radialista Sandoval Siqueira teve o equipamento de trabalho apreendido e foi preso. O fato ocorreu durante a cobertura de um assassinato na zona norte de Aracaju. De acordo com o presidente do Sindicato dos Radialistas de Sergipe (STERTS), Fernando Cabral, foram feitas imagens de dentro da Delegacia Plantonista do radialista algemado. Cabral repudiou a prisão e afirmou que houve excesso.
“O sindicato dos radialistas repudia a atitude e acredita que houve um abuso de autoridade por parte da polícia. Após ter sido preso, foram feitas fotos de dentro da delegacia onde o radialista aparece algemado. Essas imagens foram divulgadas em redes sociais. Nós teremos uma reunião com o comando da Polícia Militar e vamos pedir a apuração deste fato”, fala.
A equipe do Portal Infonet ouviu o radialista, que trabalha em uma emissora de televisão. Ele lamentou a prisão e afirmou que atua em parceria com a polícia. “Estou me sentindo muito constrangido porque no momento dessa ocorrência haviam outras pessoas. A polícia pediu para que todos deixassem a área e nós saímos. Já estava do outro lado do cordão de isolamento quando o policial chegou e disse que eu tinha invadido a área e por isso iria me prender por desacato. O policial foi retirando a máquina fotografica das minhas mãos e me algemando”, conta o radialista que ressalta ser um fato isolado.
O repórter já recebeu várias homenagens pela atuação junto a polícia
“Entendo que esse fato, apesar de grave, que ocorreu comigo é um fato isolado porque tenho grandes amigos na polícia e trabalho em parceria. Sempre dando visibilidade as prisões que a polícia realiza, destacando os trabalhos da segurança pública”, frisa o radialista, que após prestar depoimento foi liberado e teve a máquina fotográfica devolvida.
Polícia Militar
Segundo o adjunto da 5ª seção da assessoria de comunicação da Polícia Militar, capitão Alysson Cruz, as informações são de que o radialista não obedeceu à área delimitada pela polícia. O capitão ressalta que em todo local de crime, as equipes isolam a área para que o trabalho seja realizado pela polícia técnica.
Ainda, segundo a assessoria de comunicação da PM, os parentes da vítima já tinham pedido para que não fossem realizadas fotos ou filmagens do local. “Contrariando a orientação da polícia o radialista adentrou no local e tentou fazer as imagens. O policial então deu voz de prisão e neste momento ele tentou resistir a prisão, por isso, houve o uso da algema”, explica.
A equipe do Portal Infonet também procurou a Ordem dos Advogados do Brasil secção Sergipe (OAB/SE), mas não conseguimos falar sobre o assunto. O presidente e o vice-presidente da Ordem estão em viagem e não tinham conhecimento do assunto.
Sindijor
O presidente do Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindijor/SE), Paulo Sousa, foi taxativo ao afirmar que tanto Sandoval Siqueira, quanto o cabo Amintas não possuem a habilitação de repórter cinematografico. Paulo Sousa acrescentou que existem limites na atividade profissional, e que durante uma cobertura jornalística as orientações da polícia devem ser respeitadas.











