Rogério se fortalece

A decisão do ministro Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou todas as condenações impostas pela Justiça Federal do Paraná ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Operação Lava Jato, mudou por completo o cenário eleitoral de 2022, com consequências nacionais e locais. Com a decisão, Lula recuperou os direitos políticos e se tornou elegível, colocando-o de volta ao jogo.
E quem se fortalece politicamente com esse novo cenário? Logicamente que o PT e suas lideranças políticas em todo o país. E a primeira aparição de Lula após a decisão mostra que ele está sim no páreo. Com um discurso moderado, o ex-presidente foi solidário às vítimas da COVID-19, defendeu o SUS, a vacina, criticou a lava jato, o ministro Moro, mas não tocou no assunto eleição 2022. Disse que não era o momento, e fez certo.
E em Sergipe, o que muda? Como em outros estados, temos o grupo que está no poder e outros que desejam o poder. O agrupamento governista, hoje liderado pelo governador Belivaldo Chagas (PSD), conta com uma frente ampla de partidos. Além do palácio, o grupo comanda a capital, através do prefeito Edvaldo Nogueira (PDT), além dos três municípios da Grande Aracaju: São Cristóvão, Nossa Senhora do Socorro e Barra dos Coqueiros. É, sem dúvidas, o grupo político mais forte atualmente.
E a grande pergunta que se faz é: quem será o candidato a governador desse agrupamento? Dos nomes que se apresentam, há pelo menos quatro a se destacar: Ulices Andrade (conselheiro do Tribunal de Contas e ex-deputado estadual); Fábio Mitidieri (deputado federal); Edvaldo Nogueira e o senador Rogério Carvalho (PT). Rogério é um dos petistas que mantém diálogo com Belivaldo, apesar da candidatura de Márcio Macedo à Prefeitura de Aracaju em 2020, que gerou alguns arranhões nesse relacionamento.
Com Lula na disputa, o senador passa a ser o único nome com reais chances de unir todo o grupo. Isso porque a relação do ex-presidente com Belivaldo e as principais lideranças desse bloco sempre foi muito boa. Lula tem peso nessa articulação e não medirá esforços para garantir que em Sergipe o PT tenha um candidato viável ao governo, fortalecendo seu palanque no Estado.
Não haveria resistência a uma chapa encabeçada por Rogério, com um vice indicado pelo governador e uma vaga ao Senado que viesse de um agrupamento de fora. Mas muita água ainda vai rolar. O fato é que com Lula, as arrumações começam a ter outro formato, e isso vale para Sergipe. Rogério é um político nato, sabe da importância do diálogo e da somação. É um nome que deve ser observado e entra de vez na disputa pelo Governo de Sergipe.











