Arrastão deixa comunidade em pânico no Inácio

26/02/2016 às
Caixa 24 horas está desativado em loja (Fotos: Cássia Santana/Portal Infonet)

A comunidade do bairro Inácio Barbosa, em Aracaju, está enfrentando sérios transtornos com a falta de segurança. Os arrombamentos, as abordagens no meio da rua e até arrastões em ponto de ônibus se tornaram frequentes nos últimos tempos. Estas ações são realizadas normalmente por bandidos, que costumam praticá-las usando motocicletas, bicicletas e até a mesmo agindo a pé, tornando a comunidade refém e amedrontada.

O presidente da Associação Comunitária Jardim Esperança, Wellington Pereira, está mobilizando os moradores para cobrar providências dos governos estadual e municipal. Para a liderança comunitária, uma das medidas que poderia inibir a ação dos marginais seria a reinstalação do Posto de Atendimento ao Cidadão (PAC) mantido pela Polícia Militar e também o retorno do posto da Guarda Municipal mantida pela Prefeitura de Aracaju.

Segundo o presidente da Associação, ambas as unidades foram desativadas sem que houvesse diálogo com os moradores. "Se providências não forem tomadas, vamos fazer uma manifestação", avisa. Na madrugada da segunda-feira, 22, uma casa comercial na avenida Universo do Jardim Esperança foi arrombada.

Segundo a gerente, Marina Alves, os bandidos teriam entrado pela porta dos fundos e tentaram, sem êxito, explodir o caixa eletrônico instalado na parte interna da mercearia. "Eles colocaram maçarico, mas não conseguiram estourar o caixa e foram embora sem levar o dinheiro", diz a gerente. O banco que administra os caixas eletrônicos da rede 24 horas desativou e vai retirar o equipamento da loja, conforme a gerente.

Na manhã da quinta-feira, 25, aconteceu um verdadeiro arrastão. Um homem pilotando uma motocicleta se aproximou de um ponto de ônibus e exibiu uma arma, anunciando o assalto. As pessoas que aguardavam o coletivo foram obrigadas a entregar os objetos que portavam. “Ele colocou a mão na perna e a gente pensou que era apenas a mão, mas era um revólver”, revelou uma garçonete, que não quer ser identificada. Era aproximadamente 6h, segundo depoimento de vítimas. "Minha filha ia trabalhar e aí roubaram o celular porque era a única coisa que ela tinha", conta o comerciante José Ilério da Silva. "Mas tinha mais gente e ele levou bolsa, relógio e também celular", informou.

No bairro, a maioria dos moradores não quer ser identificada. Mas todos sempre têm relatos de violência. "Um rapaz me pediu comida e quando fui para a cozinha, ele entrou na minha casa e roubou meu celular", diz uma assistente administrativo de 38 anos, que também prefere o anonimato. "Fui displicente. Mas jamais pensei que ele ia me roubar. Ele me pediu comida e eu acreditei que era um trabalhador com fome", declarou.

O tenente-coronel Paulo César Paiva, comandante da PM5 [setor responsável pela comunicação social da Polícia Militar de Sergipe], informou que o PAC foi desativado porque a gestão passada entendeu que a presença dos policiais nas ruas, sem estar em uma unidade fixa, traria maior eficiência para a segurança da comunidade. Ele informou que a atual gestão fixará bases móveis em pontos estratégicos da cidade para garantir maior segurança à população.

O tenente-coronel Paiva adverte a população para a importância do registro de boletim de ocorrência em qualquer situação que caracterize ação criminosa. Segundo Paiva, é com base nos boletins de ocorrência que a polícia formata as estatísticas e articula o planejamento estratégico para atuação nos locais onde há maior incidência de crimes.

“Em todo e qualquer incidente, as pessoas precisam formalizar o boletim de ocorrência para que os fatos cheguem ao conhecimento da polícia e possam ser levados em consideração no planejamento estratégico para as ações futuras e para que a polícia possa entender a mancha criminal”, explica.

O coronel Enilson Aragão, diretor geral da Guarda Municipal de Aracaju, informou que a GMA nunca construiu unidade fixa da instituição no Inácio Barbosa. Mas garantiu que intensificará o patrulhamento nas praças públicas da capital sergipana por ser esta a atribuição da Guarda Municipal.